
O protesto é uma movimentação chamada A Grande Vaia que ocorrerá em diversas capitais brasileiras.
Chega de pensar na novela e deixar a REALIDADE em segundo plano. Façamos algo por nosso país.
Renan Calheiros não foi cassado. E agora? Esperar que os outros dois processos contra ele corram para, mais uma vez, ter a confirmação de que a desonestidade tem lugar privilegiado no Brasil? O dinheiro do CPMF que deveria ser investido na melhoria da saúde pública vai para algum lugar obscuro que não se sabe onde. Os investimentos em educação são ínfimos, o que está gerando cada vez mais desigualdade cultural e, por conseqüência, social. O problema do Brasil, ou melhor, dos brasileiros, é que eles pensam que o que acontece na política não os afeta. Estão errados, obviamente.
Esta semana assisti à palestra do colunista da revista Veja Diogo Mainardi. Parte do que ele fala tem coerência. Além disso, ele conta com um poder de persuasão que te faz, em um primeiro momento, dar mais crédito a suas palavras do que elas realmente merecem. Mainardi, ao contrário do que muitos pensam é o típico representante da classe média brasileira - apesar de ele não se encontrar nessa camada social. Aponta milhares de erros e faz críticas indignadas ao governo e à corrupção, o que está corretíssimo, mas não vai além da crítica. O mesmo acontece com grande parte dos 186 milhões de habitantes do nosso país.
A situação torna-se de uma desesperança caótica no momento em que se escuta um jovem de 18 anos dizendo que “é normal que haja roubo na política porque o sistema por si só foi feito para corromper”. Se tudo isso que acontece hoje na política for normal não haveria necessidade de que os processos contra Renan fossem votados – não existiria nem a necessidade da denúncia. Se for realmente normal não temos por que querer que os mensaleiros sejam julgados e presos, afinal de contas “as coisas são assim mesmo” e se não forem esses serão outros a fazer o mesmo. As pessoas perderam a capacidade de indignação.
Domingo passado houve na Redenção um protesto - anteriormente avisado aqui no Com Gás - contra toda a baixaria dos nossos governantes. Resultado: 30 pessoas. Alguns não foram porque era domingo, outros porque tiveram preguiça, outros porque já não acreditam que isso realmente sirva para alguma coisa. Não importa o motivo, o resultado de toda essa apatia é uma geração que dorme na frente da tevê e já não se importa com o que realmente é relevante.
O povo reunido já mudou muita coisa na nossa história e se agora está sendo diferente é por culpa nossa. É necessário que as pessoas tenham consciência do poder que têm, não como indivíduo só, mas como indivíduo inserido dentro de um contexto político social a fim de reescrever a história atual. É preciso que Mainardis que não acreditam que existam soluções reais dêem lugar a cidadãos que saibam do poder do grito da massa.
Carolina Marquis
Então, para o desgosto de alguns que nos lêem procurando uma pseudo-intelectualidade social e política, escreverei sobre futebol. Não necessariamente comentando o mais cultuado esporte brasileiro, e sim; a minha sofrida - porém bela - relação com o Internacional. Nada melhor para se escrever depois de um Gre-nal perdido.
___________________________________________________________________________
Todo domingo é uma bosta, domingo que o Inter perde é um aborto. Eu me acostumei com isso, nasci na pior geração que podia para torcer pelo meu time. Mas agüentei na marra, com o incentivo de meu pai e sem dar bola para as camisetas e utensílios do Grêmio que parentes irracionais me davam na infância. Como disse o poeta Fabrício Carpinejar, “tecido de três listras era pijama”. O vermelho é mais raça, mais sangue, mais coração, embora seja também sofrimento. Muito eu sofri, o Clube do povo ganhou uma copa do Brasil em 1992 que eu, por ser demasiado criança, não me recordo. Depois disso, apenas Gauchão, e nada. Um buraco negro no Colorado, uma década de alegrias para o nosso rival, time de Paulo Nunes, Jardel e outros.
Os colegas na escola eram gremistas em tremenda maioria. Tive que aprender a dar respostas, a brigar, argumentar, mudar de assunto com agilidade toda segunda-feira. Por causa disso, odiei o azul e todos que gostavam dele, achava essas pessoas, realmente, arrogantes e insuportáveis. Óbvio, que tive momentos felizes, como quando ganhávamos os clássicos que vencemos bem mais que “eles”. O resto da alegria era torcer quando escapávamos de cair para a segunda divisão – lugar onde nunca pisamos, só para salientar. Mesmo assim, o maldito clube da Azenha gabava-se de títulos internacionais como: Libertadores e Campeão do Mundo.
Só que 16 anos depois que vim ao mundo, a coisa começou a mudar. Um ano que começou mal, perdendo o Gauchão para o Grêmio, acabou deliciosamente bem. No dia 16 de agosto eu estava em Porto Alegre, a cidade estava com o ar vermelho, era o Internacional campeão da Libertadores da América, triturando o São Paulo (até então, atual campeão do mundo). Conseguimos a vaga para o famoso e tão quisto mundial, mas de que jeito ganharíamos do Barcelona (não do Hamburgo), time de Deco, Ronaldinho Gaúcho, Puyol e companhia? Fácil: com garra, com determinação, com Edinho, Ceará, Iarley, Fernandão, Clemer, Adriano Gabiru, Fabiano Eller, Índio e toda a equipe introsada de Abel Braga.
Claro que torcer pelo Inter é saber sofrer, xingar jogador num dia e no outro venerá-lo, é gritar num ano o que não se gritou em vários. Torcer pelo Inter é padecer no paraíso. É um grande exemplo do amor, viver entre segundos a dor e a euforia.
O mesmo senador que insiste pelo seu voto no período das campanhas eleitorais - justificando que o ato de votar é democracia, que escolher um candidato é a maneira de participar da política - vota em BRANCO no julgamento que interfere diretamente na política do país.
Ter um senador que vota em BRANCO em um assunto de extrema importância para, a já desacreditada, política brasileira, é a prova de que para a nossa política melhorar, devemos mudar os políticos.
Enquanto senadores de seis partidos planejam dar um golpe nas futuras sessões presididas por Calheiros deixando de comparecer, nós temos o dever de nos manifestarmos.
Se o saudosismo desse blog é justificado por falta de atos como os dos anos 60 e 70, ele deixará de ser saudades para tornar-se presente. Se não temos uma ditadura, temos uma camada política podre. Sem importância com seu povo, dando valor aos seus interesses enquanto deveria ser responsável pelos direitos de 170 milhões de, ainda orgulhosos, brasileiros.
Se o Senado e o Renan se mataram, a indignação e a busca por justiça do povo não morreu.
A Bienal B apresenta a partir de amanha mais uma peça da campanha Outras Perspectivas, criada pela Paim Comunicações. Anagramas como o da imagem estão sendo veiculados na mídia, mostrando a indignação presente em todas classes sociais de brasileiros.
Já basta de tanto conformismo. Se não nos manifestarmos agora, que acarretemos todas injustiças e hipocrisias que estão por vir.
Os únicos que podem mudar essa situação somos nós.
Gente que virou história incomum, que vive no outro lado, que fez da vida curta mais um de seus excessos, e por isso; foram sucumbidos por ela. Mesmo assim, vivendo intensamente.
Syd Barret
Um louco nascia em Cambridge, Inglaterra, e anos mais tarde formava a banda Pink Floyd. Põe louco nisso! Com seus riffs de guitarra criativos, suas músicas psicodélicas, suas atuações andrógenas nos shows e suas loucuras regadas a LSD, Barret virou nome do Rock psicodélico.
Mas psicodélico não era só sua música. Waters exagerava mesmo no ácido, e o que era para melhorar sua criatividade, serviu para alucinar para sempre seu cérebro. São várias as histórias e lendas do primeiro vocalista e guitarrista do Floyd. Como a de quando trancou sua namorada no quarto por uma semana e apenas passava bolachas por debaixo da porta (escutem Lunático – Cachorro Grande). Ou quando filmou com uma Super-8 sua primeira viagem de LSD. Melhor: deu a droga ao seu gatinho de estimação que ficou lesado até a morte. Paranóias também ocorriam em sua cabeça, certa vez pintou todo o piso da sala de seu apartamento de vermelho e ficou preso no meio do recinto, em um colchão, até a tinta secar.
No palco, era realmente bom. Veja o que David Bowie, que criou o personagem Zig Star influenciado por Syd, comenta:
"Barrett teve uma influência enorme sobre mim, eu achava que Syd tinha um talento colossal. Ele foi o primeiro cara que eu vi no meio dos anos 60, que conseguia 'decorar' um palco. Possuía uma aparência mística, estranha, com unhas pintadas de preto e olhos maquiados. Ele serpenteava em volta do microfone, e eu pensava: 'esse cara é totalmente hipnótico!'"
Mas esse hipnótico artista não teve um fim de carreira feliz. Depois do primeiro disco da banda, The Piper of The Gates Down, o qual Barret assinou nove maravilhosas canções, ele pirou de vez. Para que a gravação do segundo disco ocorresse, tiveram que chamar o também vocalista e guitarrista David Gilmour, pois o antigo já não cantava, criava e tocava como antes. “Nós tínhamos que correr com o microfone atrás de Syd pelo estúdio, para que ele pudesse cantar”, comentou o baixista Waters em uma entrevista. E nos shows, também já não era o mesmo, falava palavras desconexas ao microfone e mudava as notas das músicas. Teve que sair da banda. Voltou a morar com sua mãe em um pequeno bairro inglês e lançou discos solos que apenas os fãs compravam.
O egocêntrico Roger Waters sempre sentiu sua falta, ajudou-o com os discos solos e criou várias músicas sobre ele, que estão presentes nos melhores álbuns da banda: The Dark Side of The Moon, The Wall e I Wish you were here. Esse último foi feito inteiramente em sua homenagem, inclusive durante as gravações, Barret apareceu nos estúdios gordo e barbudo, tão diferente que os próprios integrantes demoraram a reconhece-lo. Achavam que era um mendigo.
O homem foi um gênio do Rock’N Roll que poderia ter sido tão imortalizado e escutado como Jimi Hendrix, Janis Joplin e Jim Morrison, mas não foi por um simples motivo: a vida não o levou tão cedo, não o transformou em mártir, o deixou louco e esquecido, sem contatos, na mesma Cambridge em que nascera. Morreu tempos depois de ter parado de tocar, em 2006, com 60 anos. Já sofria com problemas intestinais e Diabetes. Sua família não autorizou que fosse divulgado mais nenhum detalhe da vida pessoal do músico. Certamente, ele queria assim.
Fazia calor, mas o vinho era necessário. Iríamos ao Sarau Elétrico cujo tema seria os destruidores do sonho americano, os beat. Sofrendo pela falta de vinho e ainda restando tempo, bebemos alguns copos de vodka com coca-cola, e, alguns cigarros depois, fomos até o bar Ocidente.
O Ocidente é considerado o berço da contracultura que virou cultura de Porto Alegre. Lá passaram músicos, poetas, escritores, boêmios, estudantes, vagabundos e todos responsáveis pela cultura (contracultura?) da capital. O Sarau Elétrico é um desses eventos que tu ouves falar e sempre tens vontade de ir. Tua ânsia por um lugar onde há efervescência de idéias contraculturais é suprida pela imagem que passam do Sarau. Isso até tu presenciares e criares a própria imagem do evento.
Pagamos um real a menos na entrada, e, graças a isso, tomamos mais algumas cervejas enquanto o aguardado evento não começava.
Sempre no Sarau, os “pensadores líderes” chamam um convidado especial ligado ao tema para acrescentar algo. Dessa vez – na vez em que iriam falar sobre os beat – resolveram convidar o Iotti, aquele mesmo que faz o Radicci.
Puta merda, o que o Radicci tem de beat?
Ou seria uma enorme surpresa, ou uma enorme decepção.
Enfim, começa o evento. Professor Fischer inicia lendo um fragmento do On the Road, do Kerouac. Na seqüência, Kátia Sumam, leu um poema do Uivo, do Ginsberg. E a partir desse momento, com dez minutos desde o início, o rumo do Sarau Elétrico começou a ficar claro. Claudia Tajes anunciou que leria Bukowski. Mas o que o velho safado tem a ver com os beat? E ainda por cima, deram mais atenção para a discussão de como se pronunciava o nome do velho Buk, do que para seu texto.
Para finalizar a primeira parte do Sarau Elétrico, professor Moreno, o Riquelme do time de intelectuais do Sarau, simplesmente resolve divagar sobre a Grécia. Tudo bem que tu sejas estudioso dos tempos clássicos e tudo mais. Mas não usa isso quando a proposta era falar sobre escritores dos anos 20!
Leram mais On the Road, mais Allen Ginsberg e novamente Claudia cometeu o percalço de ler John Fante. Sendo que ele, assim como seu fã numero um, Bukowski, não é Beat.
Eis que entra o Iotti na história: “Nem sei porque vocês me chamaram mas tudo bem”, diz o criador do colono mais famoso do Rio Grande do Sul.
Enquanto o professor Moreno insiste em falar da sua adorada Grécia, Iotti se revela o melhor dos cinco participantes ao contar uma única piada.
A platéia era constituída basicamente de, pelo estilo, pessoas que idolatram figuras do rock. Mas quando Kátia Sumam teve a infelicidade de, ao ler o prefácio de um livro do Kerouac - onde nomes de influenciados pelos beat, como Bob Dylan e Jim Morrinson eram mencionados - fazer o comentário dizendo que de quantas “coisas” ele poderia tê-la poupada, fomos embora ao som dos risos do público.
E ainda perdemos o show do Jimi Joe, que deveria estar se contorcendo na cadeira enquanto ouvia tudo aquilo.
*O ambiente é lindo.
Imagem retirada sem autorização do site do Sarau Eletrico. Foto Cynthia Vanzella.
Ricardo Araujo
Almoço Nu: Willian Burroughs traz um amontoado
de imagens e informações que começam a se tornar brutalmente familiares. “O leitor é atirado de uma espelunca urbana cheia de viciados para o coração de uma floresta e depois para uma cidade que mais parece a projeção paranóide de todas as metrópoles do mundo.” (Ediouro, RJ)
O primeiro terço: Parte do diário de Neal Cassady, encontrado após sua morte. Nele entendemos bem sua relação com Kerouac, viagens e pensamentos do autor. (L&PM)
Bruno Goularte
500 ml de Conteúdo